A história do cinema no Coliseu Micaelense começou ainda antes da construção do edifício que hoje conhecemos.
Como forma de angariar o máximo de dinheiro possível para a construção do grandioso edifício, tomou-se a iniciativa de organizar sessões de cinema ao ar livre no terreno onde viria a ser edificado o Coliseu. Assim, esta ideia não só proporcionou momentos de entretenimento e convívio à população, como também despertou o interesse do público pelo projeto, contribuindo para reunir os fundos necessários.
Após a inauguração do Coliseu, a primeira sessão de cinema realizou-se a 1 de maio de 1917. O filme exibido era uma produção muda, acompanhada ao vivo por uma orquestra local, prática habitual na época, que conferia maior emoção e envolvimento às projeções. Durante os primeiros oito meses de funcionamento da sala foram apresentados mais de trinta filmes, destacando-se Os Vampiros como o maior sucesso de bilheteira desse período.
Nos primeiros anos, a exibição cinematográfica exigia um elevado rigor técnico. Os filmes eram projetados em fita, movimentada manualmente através de uma manivela, o que obrigava o operador a manter um ritmo constante para garantir a fluidez das imagens. Além disso, as cópias eram apenas cedidas temporariamente para exibição, sendo devolvidas a Lisboa após cada sessão, o que limitava a possibilidade de novas apresentações.
Ao longo das décadas seguintes, o cinema consolidou-se como uma das principais formas de entretenimento da cidade. O Coliseu Micaelense organizava também sessões especialmente dedicadas ao público infantil, onde eram exibidos filmes de desenhos animados, como de Walt Disney, Popeye e Lassie, entre muitos outros.
A evolução tecnológica trouxe uma das mais importantes conquistas da história do Coliseu Micaelense. A 17 de março de 1932, a instituição inaugurou o primeiro cinema sonoro dos Açores, assinalando uma nova etapa na experiência cinematográfica da região. Entre os primeiros filmes sonoros legendados em português destacou-se Allá Arriba, obra inspirada na vida dos pescadores da Nazaré. A partir desse momento, sucederam-se inúmeras estreias que atraíram milhares de espectadores e bateram recordes de assistência, entre as quais O Conde de Monte Cristo, Tarzan e A Canção de Lisboa, consolidando o Coliseu Micaelense como uma das mais importantes salas de cinema do arquipélago e um espaço de referência na divulgação da sétima arte.

