

Desde a sua inauguração, o teatro assumiu um lugar de destaque na programação do Coliseu Micaelense, contribuindo de forma decisiva para afirmar a instituição como um dos mais importantes centros de difusão cultural dos Açores. Ao longo de mais de um século de história, o palco do Coliseu recebeu algumas das mais prestigiadas companhias de teatro nacionais e internacionais, bem como artistas que marcaram gerações e deixaram uma profunda influência na cultura de expressão portuguesa.
As primeiras produções teatrais apresentadas no Coliseu remontam a 1917, ano da inauguração do edifício, destacando-se as revistas Etc. e Tal, da autoria de Jorge Pereira e Castanheira Lobo, e Ramo de Hortênsias, de Vítor Cruz. Estas primeiras representações revelaram, desde cedo, a intenção de proporcionar ao público micaelense uma programação diversificada e de elevada qualidade artística.
Um marco importante na história do teatro no Coliseu ocorreu nos dias 11 e 12 de junho de 1921, quando a instituição recebeu, pela primeira vez, a Companhia de Teatro Maria Matos–Mendonça de Carvalho. Nessa ocasião foram apresentadas as peças Malvalouca e Compartimento para Senhora, espetáculos que reforçaram a ligação do Coliseu às grandes companhias teatrais portuguesas e consolidaram o seu prestígio enquanto palco de referência.
Nas décadas seguintes, passaram pelo Coliseu Micaelense alguns dos maiores nomes do teatro português. Artistas como Amélia Rey Colaço, Robles Monteiro, Rafael de Oliveira, Brunilde Júdice, Alves da Costa, Ilda Stichini, Eunice Muñoz, Vasco Morgado, Maria Matos, Laura Alves e Vasco Santana marcaram presença no seu palco, oferecendo ao público micaelense interpretações memoráveis e contribuindo para a valorização da atividade teatral na região.
Mais recentemente, o Coliseu continuou a acolher produções de grande sucesso, protagonizadas por nomes incontornáveis da cena artística nacional, entre os quais Ruy de Carvalho, Ana Bola, Rita Ribeiro, Fernando Mendes, João Baião, António Capelo, Teresa Guilherme, Luís Aleluia, Rita Salema, Patrícia Tavares e Rosa do Canto. Estas produções têm permitido manter viva a tradição teatral da instituição, aproximando diferentes gerações de espectadores da riqueza e diversidade das artes cénicas.
O prestígio do Coliseu Micaelense ultrapassou também as fronteiras nacionais, recebendo artistas internacionais de reconhecido mérito, particularmente do panorama teatral brasileiro. Miguel Falabella, António Fagundes, Christiane Torloni, Thiago Fragoso e Alexandra Martins são alguns dos nomes que trouxeram ao palco do Coliseu produções de elevada qualidade, reforçando a dimensão internacional da sua programação.
Ao longo da sua história, o teatro no Coliseu Micaelense foi muito mais do que uma forma de entretenimento. Constituiu um espaço privilegiado de encontro entre artistas e público, de divulgação cultural e de promoção das artes cénicas, acompanhando a evolução do teatro ao longo de mais de um século. A diversidade de companhias, a qualidade dos espetáculos e a presença de alguns dos mais importantes intérpretes da língua portuguesa consolidaram o Coliseu Micaelense como uma referência incontornável da atividade teatral nos Açores e um palco onde continuam a escrever-se importantes páginas da história da cultura.