Sexta-feira, 7 Fevereiro, 2025 | 21:00
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PROMOTOR
Coliseu Micaelense
Uma sucessão de cenas em jeito de reportagem sobre a vida quotidiana na Alemanha no alvor da Segunda Grande Guerra. É uma peça de 1938, feita de fragmentos que dissecam as consequências da ascensão e consolidação do nazismo nas relações sociais e familiares, nas casas e nas ruas, nas fábricas e nos tribunais, nas praças e nas prisões. O autor, Bertolt Brecht, expõe um conjunto de personagens em situações de crise, de precariedade ou mesmo miséria, subjugados a uma política repressiva que canaliza a riqueza para a produção de armamento e onde os comportamentos vão refletindo, de diferentes formas, a implacável penetração do terror nas relações humanas.
Hoje, a desumanização reaparece-nos num cúmulo insuportável que as vidas destas personagens prefaciavam e que não imaginávamos testemunhar em vida nossa. E embora sejamos todos herdeiros da lição daquele tempo, comemoramos os 50 anos da nossa liberdade com a perplexidade de, como sociedade, como construção europeia e, enfim, como civilização, não termos as ferramentas para travar a recrudescência do ódio, do preconceito, da ignorância, da prepotência e a persistente crença supremacista entre povos que, nas suas raízes profundas, são irmãos.
“Com efeito, o terror atira o homem para contradições sem fim. À ordem – a ordem capitalista – do mundo corresponde a desordem do homem”. Bernard Dort sobre esta peça, in Leitura de Brecht, Ed. Forja, 1980.